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O que é a LER/DORT no setor de saúde e como a NR 17 a previne?






LER/DORT no Setor de Saúde: Guia Completo de Prevenção com a NR 17

O que é LER/DORT em Saúde e Como a NR 17 Transformam a Prevenção Ocupacional

A área da saúde é um pilar essencial para o desenvolvimento social, mas esse serviço vital vem acompanhado de demandas físicas e emocionais altíssimas. Profissionais como enfermeiros, técnicos e fisioterapeutas passam longas horas em pé, executam movimentos repetitivos, realizam manuseio de equipamentos pesados e lidam com posturas forçadas. Esse ambiente, embora indispensável, carrega riscos ergonômicos significativos para a saúde do trabalhador.

Nesse contexto, as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) emergem como desafios críticos de Saúde e Segurança do Trabalho (SST). Longe de serem apenas “dores comuns,” são condições que afetam tendões, músculos, nervos e articulações devido à sobrecarga crônica. Compreender o que são a LER/DORT é o primeiro passo; garantir um ambiente de trabalho seguro exige conhecimento das diretrizes normativas, sendo a NR 17 (Ergonomia) o principal guia no Brasil.

Conhecendo LER e DORT: Não São Apenas “Fadiga”

LER e DORT são termos frequentemente usados como sinônimos para descrever um grupo de doenças que afetam o sistema musculoesquelético. É crucial entender que estas condições não são causadas por um único fator, mas sim pela combinação de múltiplos estressores ambientais e posturais no ambiente de trabalho.

  • O que causa? A sobrecarga física repetitiva (ex: digitar ou fazer movimentos manuais constantes), a manutenção em posturas inadequadas por longos períodos (como ficar curvado ao curar feridas) e o esforço excessivo.
  • Quais são os sinais? Podem manifestar-se como tendinites (inflamação de tendões), síndrome do túnel cárpalo (compressão nervosa no punho) ou lombalgias crônicas. Os sintomas incluem dor, formigamento, dormência e sensação de fraqueza na região afetada.

No setor de saúde, os riscos são amplificados pelo tipo de atividade: o levantamento manual de pacientes, a manipulação constante de instrumentos e o ritmo acelerado exigem uma atenção redobrada com a ergonomia.

A Vulnerabilidade do Profissional da Saúde

O ambiente hospitalar ou clínica é particularmente desafiador porque mescla atividades motoras finas (que exigem precisão) com manuseio de força bruta. Os profissionais frequentemente operam em condições de estresse psicológico e tempo limitado, fatores que aumentam a tensão muscular e diminuem a percepção dos limites corporais.

As principais causas de risco no setor incluem:

  • Movimentos Repetitivos: Realização constante de procedimentos nas mãos (ex: suturas, administração de medicamentos).
  • Postura Inadequada: Curvatura da coluna ao realizar curativos em pacientes acamados.
  • Esforço Físico Elevado: Transferência e movimentação de pacientes que dependem de apoio, sobrecarregando a musculatura das costas e ombros.

NR 17 (Ergonomia): O Pilar Legal da Prevenção

A Norma Regulamentadora nº 17, do Ministério do Trabalho e Emprego, não é apenas um conjunto de regras, mas sim um guia metodológico que visa garantir a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Ela torna obrigatória a análise ergonômica no ambiente de trabalho.

Como a NR 17 age na prevenção:

  1. Análise e Avaliação de Riscos: A norma exige que o empregador identifique todos os fatores de risco presentes nas tarefas (força excessiva, ritmo acelerado, postura inadequada).
  2. Adaptação do Processo: Em vez de apenas tratar a dor no indivíduo, a NR 17 exige a mudança no processo. Isso significa modificar o posto de trabalho, fornecer ferramentas adequadas ou reestruturar tarefas.
  3. Treinamento e Pausas: A norma também preconiza pausas regulares e treinamento sobre técnicas corretas de movimentação, transformando o trabalhador em um agente ativo na sua própria segurança.

Estratégias Práticas para Redução do Risco Ocupacional

A prevenção LER/DORT deve ser um esforço multidisciplinar que envolve gestão, equipamentos e educação. As estratégias mais eficazes incluem:

  • Gestão da Pausa Ativa: Implementar pausas obrigatórias em intervalos regulares (a cada 45-60 minutos), incentivando alongamentos específicos para pescoço, punhos e ombros.
  • Reengenharia do Posto de Trabalho: Ajuste de mobiliário hospitalar, uso de elevadores auxiliares ou cadeiras ergonômicas que mantenham a coluna vertebral em alinhamento neutro durante o trabalho administrativo ou de curativo.
  • Treinamento Constante: Capacitar os colaboradores não apenas sobre os riscos, mas também sobre técnicas corretas para levantar e movimentar pacientes (uso de maca com travas, comunicação clara).
  • Rodízio de Tarefas: Alternar atividades que exigem esforço físico intenso por tarefas mais administrativas ou leves, evitando a saturação muscular em um mesmo grupo de músculos.

Conclusão e Chamado à Ação

A prevenção da LER/DORT no setor de saúde não é apenas uma obrigação legal imposta pela NR 17; é um investimento direto na qualidade do atendimento, na longevidade profissional e na humanização do cuidado. Profissionais em estado de dor ou esgotamento não conseguem entregar o melhor de si.

Ações preventivas devem ser contínuas e baseadas na avaliação ergonômica completa. Lembre-se: um ambiente de trabalho seguro é aquele onde a eficiência humana encontra o respeito físico. Não espere a dor se instalar para começar a prevenir; faça da ergonomia um pilar central do seu planejamento operacional.

💡 Seu próximo passo: Promova a análise ergonômica em sua unidade de saúde. Invista em treinamento e equipamentos que respeitem o corpo do seu colaborador e garanta um cuidado mais saudável, tanto para quem cuida quanto para quem é cuidado.


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