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Prova de Residência Médica: Trauma Abdominal Fechado e Laparotomia

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Protocolos de Cirurgia de Trauma

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Prova de Residência Médica: Trauma Abdominal Fechado e Laparotomia

Caros colegas, chegamos ao “coração” da cirurgia do trauma. O abdome é uma caixa preta. No trauma fechado (contuso), diferentemente do penetrante, não vemos o trajeto da lesão.

A instabilidade hemodinâmica é o sinal de alarme que grita “hemorragia interna”. O cirurgião deve responder a uma pergunta binária em minutos: Laparotomia ou Conservador? Como editor do saudeaz.com.br, afirmo: a hesitação diante de um FAST positivo em paciente chocado é a causa número um de mortalidade evitável neste cenário.

Para diretrizes baseadas em evidência, consulte:

O Algoritmo de Ouro: Instável vs. Estável

A conduta no trauma abdominal fechado é ditada quase exclusivamente pela hemodinâmica do paciente. A anatomia (qual órgão lesionou) é secundária nesse primeiro momento.

A Regra Absoluta do Trauma Abdominal

Paciente com Trauma Abdominal Fechado + Instabilidade Hemodinâmica (Choque) + FAST Positivo (Líquido Livre) = Laparotomia Exploradora Imediata.

Neste cenário, NÃO se realiza Tomografia. O transporte para a TC é o “túnel da morte” para o paciente instável. O destino é o Centro Cirúrgico.

Ferramentas Diagnósticas na Sala de Trauma

Exame Indicação Principal Vantagem vs. Desvantagem
FAST (Ultrassom) Paciente Instável. Rápido, beira-leito, não invasivo.
Contra: Operador-dependente, não vê retroperitônio ou lesão de víscera oca sem líquido.
LPD (Lavado Peritoneal) Paciente Instável + FAST indisponível ou duvidoso. Altíssima sensibilidade (>98%).
Contra: Invasivo, interfere na TC posterior, risco de lesão iatrogênica.
Tomografia (TC) APENAS em Paciente Estável. Padrão-ouro anatômico. Vê retroperitônio, graus de lesão e contraste (blush).

Órgãos Mais Acometidos e Sinais Específicos

O baço é o órgão mais lesado no trauma fechado, seguido pelo fígado. O intestino delgado (víscera oca) é menos comum, mas sua lesão é traiçoeira.

  • Sinal do Cinto de Segurança: Equimose transversal no abdome inferior. Altamente sugestivo de lesão de intestino delgado (explosão ou desinserção de mesentério) e fratura de coluna lombar (Chance).
  • Sinal de Kehr: Dor referida no ombro esquerdo. Indica irritação diafragmática por sangue, clássico de ruptura de baço.
  • Sinal de Cullen/Grey-Turner: Equimoses periumbilical ou em flancos. Indicam hemorragia retroperitoneal (pâncreas), mas são sinais tardios (horas a dias).

Estudos de Caso: Decisões de Vida ou Morte

Caso 1: O FAST Positivo, mas “Estável”

Cenário: Jovem, acidente de moto. PA 110/70, FC 95. FAST positivo em Morrison.

Análise: Ele é um “respondedor transitório”. A estabilidade é momentânea (catecolaminas).

Conduta: TC de Abdome com contraste IMEDIATA (com equipe pronta para correr ao CC). Se a TC mostrar blush arterial ou lesão complexa, vai para Angioembolização ou Cirurgia.

Caso 2: O Cinto de Segurança

Cenário: Colisão frontal. Paciente estável, TC normal para vísceras maciças, mas tem líquido livre sem lesão de órgão sólido visível. Marca do cinto presente.

Suspeita: Lesão de víscera oca (intestino). A TC muitas vezes não vê o furo, só o líquido.

Conduta: Se houver peritonite ou piora clínica: Laparotomia. Líquido livre isolado sem lesão de víscera maciça é indicação cirúrgica forte.

FAQ: Perguntas de Prova e Residência

  1. Quais são os critérios para positividade do LPD?
    Aspiração inicial de >10ml de sangue, ou na análise: >100.000 hemácias/mm³, >500 leucócitos/mm³, presença de bile/fibras/fezes.
  2. O que é o tratamento não operatório (TNO) de lesão hepática/esplênica?
    Em pacientes ESTÁVEIS, mesmo com lesões graves (Grau IV), pode-se observar em UTI ou fazer angioembolização. Se instabilizar -> Cirurgia.
  3. Quando indicar Angioembolização?
    Paciente estável (ou estabilizado) com “Blush” (extravasamento de contraste ativo) na TC. Evita a laparotomia.
  4. Qual a incisão padrão na laparotomia de trauma?
    Mediana Xifo-Púbica. Permite acesso rápido a todos os quadrantes.
  5. O que fazer com hematoma retroperitoneal Zona 1 (Central)?
    Sempre explorar cirurgicamente (risco de lesão de Aorta/Cava/Pâncreas).
  6. O que fazer com hematoma retroperitoneal Zona 2 (Flancos/Rins)?
    Se não estiver expandindo e for trauma fechado: Não explorar. Se penetrante ou expandindo: Explorar.
  7. O que fazer com hematoma retroperitoneal Zona 3 (Pélvico)?
    NÃO explorar (risco de liberar tamponamento e exsanguinação incontrolável). Conduta: Fixação da pelve + Angioembolização + Packing pré-peritoneal.
  8. Lesão de diafragma aparece na TC?
    É difícil ver. Muitas vezes o diagnóstico é videolaparoscópico ou intraoperatório. Ocorre mais à esquerda.

Simulado Interativo

Você sabe quando levar para a sala e quando pedir TC? Teste seu conhecimento no nosso novo simulador.

Quiz: Trauma Abdominal e Laparotomia

Conteúdo Oficial: Portal SaudeAZ

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Público Geral

Sinais de alerta pós-acidente, cinto de segurança e primeiros socorros.

Estudante / Interno

Exame FAST, anatomia do trauma, sinais semiológicos e ATLS.

Médico / Cirurgião

Decisão cirúrgica, controle de danos e manejo de retroperitônio.

Quantas questões deseja responder?

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Conclusão

No trauma abdominal fechado, o tempo é víscera. A estabilidade hemodinâmica é a chave que abre a porta da Tomografia. A instabilidade abre a porta do Centro Cirúrgico. Não inverta essa ordem. Continue seus estudos sobre trauma abdominal em nosso portal.

Revisão Técnica & Editorial


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Como Passar na Prova de Residência



Como Passar na Prova de Residência

Prova de Residência Médica: Tamponamento Cardíaco e Tríade de Beck

Prova de Residência Médica: Trauma Torácico, Pneumotórax Hipertensivo e Drenagem

Avaliação inicial do politraumatizado (ABCDE do ATLS): Como Passar na Prova de Residência

Prova de Residência Médica: Manejo de via aérea difícil e indicações de cricotireoidostomia

Como Passar na Prova de Residência


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