O que são Hepatites Virais (Hepatite B e C): Sintomas, Causas e Tratamentos

O que são Hepatites Virais (Hepatite B e C): Sintomas, Causas e Tratamentos
Visão Geral (O que é?)
As hepatites virais B e C são infecções sistêmicas severas que apresentam forte tropismo (afinidade) pelo fígado, causando inflamação aguda e crônica do parênquima hepático. Elas são consideradas problemas de saúde pública de primeira magnitude global.
O portal saudeaz.com.br destaca que a letalidade dessas patologias não reside em sua fase inicial, mas na progressão silenciosa ao longo de décadas, culminando em cirrose hepática irreversível ou carcinoma hepatocelular (câncer de fígado).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), centenas de milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelo vírus da Hepatite B (HBV) ou Hepatite C (HCV), muitas vezes desconhecendo o próprio diagnóstico até que o fígado apresente falência funcional severa.
Principais Sintomas
A fase aguda da infecção pode passar completamente despercebida. Apenas cerca de 30% dos pacientes adultos apresentam sintomas iniciais (fase ictérica). A fase crônica é classicamente assintomática até a falência do órgão.
Sintomas Iniciais (Fase Aguda):
- Icterícia (coloração amarelada da pele e da esclera/branco dos olhos).
- Colúria (urina escura, semelhante à cor de chá-mate ou coca-cola).
- Acolia fecal (fezes de coloração muito clara, quase brancas, tipo massa de vidraceiro).
- Fadiga extrema, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos.
- Dor abdominal leve a moderada no quadrante superior direito (sobre o fígado).
Sintomas Avançados (Cirrose e Falência Hepática):
- Ascite (acúmulo de líquido no abdome, a “barriga d’água”).
- Hemorragia digestiva alta (ruptura de varizes esofágicas causando vômito com sangue).
- Encefalopatia hepática (confusão mental, tremores e coma devido ao acúmulo de toxinas no cérebro).
- Coagulopatia (sangramentos fáceis e hematomas por deficiência na produção de fatores de coagulação).
Causas e Fatores de Risco
Ambos os vírus são transmitidos primordialmente pelo contato direto com sangue e fluidos corporais infectados, porém com diferenças epidemiológicas importantes nas vias de infecção mais prevalentes:
- Hepatite B (HBV): Altamente infeccioso. A via sexual desprotegida é a principal forma de transmissão em adultos. A transmissão vertical (mãe para filho durante o parto) é a principal responsável pela cronificação da doença em áreas endêmicas.
- Hepatite C (HCV): Transmissão sexual é muito menos eficiente. A via primária histórica é o compartilhamento de agulhas, seringas, instrumentos de manicure não esterilizados, equipamentos de tatuagem e transfusões de sangue realizadas antes da década de 1990 (quando não havia rastreio adequado).
Quando procurar um médico
A busca por um infectologista ou hepatologista deve ocorrer não apenas no surgimento de icterícia ou urina escura, mas rotineiramente para qualquer adulto que nunca tenha feito o rastreio sorológico. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) preconiza que todo adulto deve ser testado para Hepatite B e C pelo menos uma vez na vida, e periodicamente se possuir comportamentos de risco (uso de drogas injetáveis, múltiplos parceiros sexuais).
Como é feito o Diagnóstico
O diagnóstico não é clínico, sendo estritamente dependente de marcadores sorológicos e biologia molecular para determinar a fase da infecção (aguda, crônica, curada ou vacinada).
- Sorologia para Hepatite B: O marcador primário de infecção ativa é o HBsAg (Antígeno de superfície). A presença de Anti-HBs isolado indica imunidade (por cura ou vacinação). O HBeAg mede a taxa de replicação e infecciosidade do vírus.
- Sorologia para Hepatite C: O Anti-HCV positivo indica contato com o vírus. Diferente do vírus B, não existe marcador sorológico simples de cura no HCV.
- Carga Viral (PCR-RNA para HCV e PCR-DNA para HBV): O teste molecular (PCR) é o padrão-ouro e mandatório para confirmar se o vírus ainda está se replicando ativamente no sangue (infecção crônica ativa).
- Avaliação de Fibrose: Elastografia hepática (FibroScan) ou biópsia hepática para quantificar o grau de dano estrutural (fibrose e cirrose) do fígado.
Tratamentos Disponíveis
Os paradigmas de tratamento são distintos entre os dois vírus, variando de supressão viral crônica (Hepatite B) até cura virológica absoluta (Hepatite C).
- Hepatite C (Cura): A revolução médica dos Antivirais de Ação Direta (DAA), como a combinação Sofosbuvir/Velpatasvir. São comprimidos orais tomados por 8 a 12 semanas, praticamente sem efeitos colaterais severos, que alcançam taxas de cura superiores a 95%, erradicando o vírus do organismo.
- Hepatite B (Controle): O HBV incorpora seu material genético ao núcleo das células hepáticas (cccDNA), tornando a erradicação impossível com as terapias atuais. O tratamento com antivirais análogos de nucleosídeos/nucleotídeos (Tenofovir ou Entecavir) suprime a replicação do vírus a zero, paralisando a agressão ao fígado. O uso é geralmente contínuo e por toda a vida.
- Transplante de Fígado: Indicado nos casos de cirrose descompensada terminal ou carcinoma hepatocelular dentro dos critérios específicos.
Tabela Comparativa: Hepatite B vs. Hepatite C
| Característica Clínica e Viral | Hepatite B (HBV) | Hepatite C (HCV) |
|---|---|---|
| Família Viral | Vírus de DNA (Hepadnaviridae). | Vírus de RNA (Flaviviridae). |
| Taxa de Cronificação (Adultos) | Baixa (Cerca de 5% a 10% não conseguem eliminar o vírus). | Altíssima (Cerca de 70% a 85% evoluem para a forma crônica). |
| Prevenção por Vacina | Sim. Vacina altamente segura e eficaz disponível no SUS. | Não. O vírus sofre mutações rápidas; não existe vacina até hoje. |
| Objetivo do Tratamento Atual | Supressão viral contínua (controle e indetectabilidade). | Cura Sustentada (eliminação total do RNA viral após semanas). |
| Transmissão Sexual | Alta transmissibilidade. | Baixa (embora aumente em práticas com sangramento ou na coinfecção por HIV). |
Exemplos de Casos (Estudos Clínicos Comuns)
1. A Descoberta Causal da Hepatite C: Homem de 58 anos doou sangue em uma campanha corporativa. Dias depois, foi notificado pelo banco de sangue sobre um bloqueio em sua doação. O rastreio revelou Anti-HCV positivo, confirmado subsequentemente por PCR-RNA detectável e elevação de transaminases (ALT/AST). Assintomático a vida toda, a infecção crônica provavelmente ocorreu há décadas em um procedimento cirúrgico na juventude. Recebeu indicação do Ministério da Saúde para uso de DAAs (Sofosbuvir) por 12 semanas, alcançando Resposta Virológica Sustentada (RVS), ou seja, a cura clínica e laboratorial antes da instalação da cirrose.
2. Hepatite B Aguda via Transmissão Sexual: Mulher, 29 anos, não vacinada, apresentou quadro súbito de icterícia intensa, fadiga extrema e urina na cor de “coca-cola”. Exames laboratoriais indicaram transaminases acima de 2.000 U/L (lesão hepática aguda grave), com HBsAg e IgM anti-HBc positivos. O contágio ocorreu via relação sexual desprotegida recente com novo parceiro. Foi tratada com suporte clínico e hidratação. O sistema imunológico, forte em indivíduos adultos, depurou (eliminou) o vírus do sangue em seis meses, deixando-a imunizada (Anti-HBs positivo) e protegida para o resto da vida.
3. Transmissão Vertical Silenciosa (HBV Crônica): Homem, 35 anos, filho de mãe asiática portadora crônica de Hepatite B (nascido em área endêmica e sem profilaxia ao nascer). Em exame de rotina para admissão em concurso público, constatou-se fígado de contornos irregulares na ultrassonografia. A sorologia mostrou HBsAg positivo com carga viral altíssima (PCR-DNA na casa dos milhões). Diferente de quem se contamina na fase adulta, 90% dos bebês infectados no parto cronificam a doença, pois o sistema imune imaturo tolera o vírus. Foi iniciada a terapia vitalícia com Entecavir para frear o dano estrutural progressivo e evitar a progressão rápida para câncer de fígado.
Curiosidade: A Hepatite C é, atualmente, a única infecção viral crônica conhecida pelo homem que pode ser completamente curada de forma virológica com medicamentos orais em pouco tempo. A criação das drogas inibidoras de polimerase (DAAs) na última década não apenas mudou o paradigma de tratamento, mas valeu aos seus descobridores o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2020.
Dica: Se você não tem certeza se tomou a vacina da Hepatite B na infância (são 3 ou 4 doses recomendadas), solicite ao seu médico um exame de sangue chamado “Anti-HBs”. Se o resultado for reagente e maior que 10 mUI/mL (sem a presença do HBsAg), significa que você está perfeitamente vacinado e imunizado. Se for não reagente, procure um posto de saúde para iniciar ou completar seu esquema vacinal gratuitamente. É a melhor blindagem contra um dos vírus mais oncogênicos do mundo.
10 Perguntas Frequentes (FAQ)
1. As hepatites virais têm cura?
A Hepatite A e a Hepatite C curam-se completamente (a A de forma espontânea pelo sistema imune, e a C com potentes antivirais modernos). A Hepatite B em adultos geralmente cura sozinha na fase aguda, mas se cronificar, não tem cura definitiva, exigindo medicação contínua para manter a carga viral indetectável.
2. O uso de álcool agrava as hepatites?
Sim, de forma drástica e exponencial. O álcool é toxina direta para as células hepáticas (hepatócitos). Pacientes com qualquer marcador ativo de hepatite B ou C devem manter abstinência alcoólica absoluta, pois o álcool acelera radicalmente a progressão para cirrose e falência hepática.
3. É possível pegar hepatite no salão de beleza?
Sim, especialmente a Hepatite C. Alicates de cutícula, espátulas e materiais de tatuagem que entram em contato com sangue microscópico devem ser esterilizados em autoclave. O uso de estufas antigas ou álcool não elimina os vírus B e C, que são altamente resistentes no ambiente externo.
4. A Hepatite B pega pelo beijo ou suor?
Não. O vírus HBV não é transmitido por beijos, abraços, suor, lágrima, espirros ou compartilhamento de talheres e copos. O contágio exige contato com sangue vivo, fluidos sexuais (sêmen/secreções vaginais) ou contato vertical materno-fetal.
5. Quem teve Hepatite C pode doar sangue após a cura?
Não. Mesmo após alcançar a cura total e erradicar o vírus (PCR negativo), o teste Anti-HCV (que marca o contato prévio com o vírus) permanecerá positivo por toda a vida. Os bancos de sangue têm políticas de triagem rigorosas e rejeitam qualquer doador com Anti-HCV reagente para mitigar riscos.
6. A vacina da Hepatite B previne o câncer?
Sim. Como o vírus da Hepatite B é a principal causa global de carcinoma hepatocelular (câncer primário de fígado), a vacina contra o HBV é tecnicamente classificada como a primeira “vacina anticâncer” do mundo em larga escala populacional.
7. O que é a Hepatite D?
É uma hepatite viral causada pelo vírus Delta (HDV). É considerada um “vírus defeituoso”, pois só consegue infectar e se multiplicar em pessoas que já possuam a infecção pela Hepatite B, piorando sensivelmente o quadro clínico da doença. Prevenir a Hepatite B com a vacina automaticamente previne a Hepatite D.
8. Se eu contrair Hepatite B crônica e fizer o tratamento, o que muda na vida?
Muito pouco, além de tomar o antiviral diariamente. O indivíduo sob tratamento com carga viral indetectável tem expectativa de vida normal, pode trabalhar e ter relações sexuais seguras (especialmente se o parceiro for vacinado). É estritamente proibido ingerir bebidas alcoólicas e usar medicamentos hepatotóxicos sem avaliação prévia.
9. Por que a Hepatite C mata mais que a HIV no Brasil hoje?
Porque as pessoas não se testam. O HIV tem forte apelo de campanhas, mas a Hepatite C não causa nenhum sintoma por décadas até o fígado endurecer e falir. Milhões estão infectados sem saber e procuram socorro apenas na fase terminal, onde o medicamento não consegue mais reverter a cirrose avançada.
10. Um paciente curado da Hepatite C pode pegar a doença de novo?
Sim. A cura da Hepatite C com a medicação elimina o vírus que está no corpo, mas não confere imunidade para o futuro. Se a pessoa voltar a usar seringas compartilhadas ou for exposta a sangue contaminado, ela será reinfectada por uma nova carga viral.
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Aviso Médico do Saúde A-Z: Este material possui caráter estritamente educacional e analítico. Não substitui, em nenhuma hipótese, o diagnóstico laboratorial, o aconselhamento médico ou a prescrição de tratamentos por infectologistas ou hepatologistas. Em caso de dúvidas sobre sua imunização, solicite ao seu médico os marcadores sorológicos rotineiros.
Lista de ISTs para Aprofundamento
Abaixo encontra-se a relação das principais ISTs globais, categorizadas pelo agente etiológico. Cada condição exige uma abordagem clínica, laboratorial e terapêutica distinta:
- Sífilis (Treponema pallidum)
- Gonorreia (Neisseria gonorrhoeae)
- Clamídia (Chlamydia trachomatis)
- Infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV)
- HIV / AIDS
- Herpes Genital (HSV-1 e HSV-2)
- Tricomoníase (Trichomonas vaginalis)
- Hepatites Virais (Hepatite B e C)
- Cancro Mole (Haemophilus ducreyi)
- Linfogranuloma Venéreo (LGV)
- Donovanose
- Doença Inflamatória Pélvica (DIP) - Complicação de ISTs
- Mycoplasma genitalium
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