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Quiz da Anemia Falciforme

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🇧🇷 Nota Editorial – Epidemiologia Brasileira: A Doença Falciforme não é apenas uma condição clínica; é uma questão de saúde pública e equidade racial no Brasil. Com alta prevalência na população afrodescendente, o diagnóstico precoce pelo Teste do Pezinho (Programa Nacional de Triagem Neonatal) mudou a história natural da doença, reduzindo drasticamente a mortalidade infantil por sepse e sequestro esplênico.

Anemia Falciforme: A Dor, a Ciência e a Esperança

“Uma única troca de aminoácidos na cadeia da hemoglobina transforma uma célula flexível em uma foice rígida, desencadeando uma cascata de isquemia, inflamação e dor que desafia a medicina há mais de um século.”

A Anemia Falciforme (HbSS) é a forma homozigótica da doença, caracterizada por anemia hemolítica crônica e fenômenos vaso-oclusivos. No entanto, o termo “Doença Falciforme” engloba também as duplas heterozigoses (como HbSC e S-Beta Talassemia), que apresentam fenótipos variados. No Brasil, estima-se que nasçam 3.500 crianças com a doença por ano.

Quiz: Anemia Falciforme

Autoral: Portal SaudeAZ

Selecione o nível de conhecimento:

Estudante / Público

Herança genética, sintomas básicos e Teste do Pezinho.

Residente / Clínico

Manejo de crises, Hidroxiureia e profilaxia.

Hematologista

Fisiopatologia molecular, transplante e terapia gênica.

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Aprofunde-se nos temas:

1. Fisiopatologia Molecular: A Foice e o Martelo

A Mutação Pontual

Tudo começa com a substituição do Ácido Glutâmico (hidrofílico) pela Valina (hidrofóbica) na posição 6 da cadeia Beta da globina. Isso cria a Hemoglobina S (HbS).

Polimerização e Afoiçamento

Quando a HbS é desoxigenada (perde oxigênio nos capilares), a Valina hidrofóbica interage com outras moléculas, formando polímeros rígidos (bastões). Esses polímeros deformam a hemácia, que assume a forma de foice (drepanócito).

[Image of sickle cell anemia red blood cells]

Este processo tem duas consequências devastadoras:

  • Vaso-Oclusão: As células falcizadas são rígidas e aderentes (interagem com o endotélio inflamado), bloqueando a microcirculação. Isso causa isquemia, infarto tecidual e as famosas crises álgicas.
  • Hemólise Crônica: A membrana da hemácia é danificada, levando à sua destruição precoce (vida média de 10-20 dias vs. 120 dias da hemácia normal), causando anemia, icterícia e cálculos biliares.

2. Diagnóstico: O Papel do PNTN

O diagnóstico definitivo não é feito pelo hemograma (que mostra apenas anemia), mas pela análise da hemoglobina.

  • Eletroforese de Hemoglobina: Padrão-ouro.
    • HbAA: Normal.
    • HbAS: Traço Falciforme (portador assintomático).
    • HbSS: Anemia Falciforme (Doença).
    • HbSC: Hemoglobinopatia SC (geralmente mais leve, mas com maior risco de retinopatia e necrose avascular).
  • Teste do Pezinho (Fase II): Detecta a presença de HbS ao nascimento, permitindo iniciar a profilaxia com Penicilina antes das primeiras infecções.

3. Emergências Clínicas: Quando Correr?

Crise Vaso-Oclusiva (Crise de Dor)

O evento mais comum. Dor excruciante em ossos longos, costas ou tórax. Manejo envolve hidratação (com cautela para não causar edema pulmonar), analgesia potente (opioides são frequentemente necessários e não devem ser negados por estigma) e oxigênio (apenas se saturação < 92%).

Síndrome Torácica Aguda (STA)

Principal causa de morte em adultos. Definida por novo infiltrado pulmonar + febre/sintomas respiratórios. É uma emergência que exige antibióticos, analgesia, suporte ventilatório e, muitas vezes, transfusão sanguínea ou exanguineotransfusão.

Sequestro Esplênico

Típico de crianças (antes da autoesplenectomia). O baço retém subitamente grande parte do sangue, causando choque hipovolêmico e anemia grave aguda. Requer transfusão imediata e, posteriormente, esplenectomia.

Acidente Vascular Encefálico (AVC)

Risco altíssimo na primeira década de vida. O Doppler Transcraniano (DTC) anual é obrigatório dos 2 aos 16 anos para identificar risco de isquemia. Se alterado (>200 cm/s), inicia-se regime de transfusão crônica para prevenção primária.

4. Tratamento de Manutenção: Modificando a História

Hidroxiureia (HU)

O medicamento divisor de águas. Aumenta a produção de Hemoglobina Fetal (HbF). A HbF não afoiça e interfere na polimerização da HbS. A HU reduz crises de dor, STA, necessidade de transfusão e aumenta a sobrevida. Indicada para a maioria dos pacientes (exceto gestantes).

Profilaxia Infecciosa

Devido à asplenia funcional (o baço para de funcionar por infartos repetidos), o paciente é imunossuprimido para bactérias encapsuladas. Exige Penicilina V oral diária até os 5 anos e vacinação ampliada (Pneumo-13, Pneumo-23, Meningo ACWY/B, Haemophilus).

Transfusão e Quelação

Transfusões simples ou de troca (exanguíneo) são vitais em complicações agudas ou prevenção de AVC. O acúmulo de ferro (hemocromatose secundária) é tratado com quelantes orais (Deferasirox).

5. A Cura: Transplante e Edição Gênica

Até pouco tempo, a única cura era o Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas (TMO) alogênico, geralmente de irmão compatível. Recentemente, a FDA e a ANVISA aprovaram terapias gênicas baseadas em CRISPR (Casgevy), que editam as células do próprio paciente para voltar a produzir Hemoglobina Fetal, oferecendo uma cura funcional sem necessidade de doador, embora o custo ainda seja proibitivo para saúde pública em massa.


Conclusão: Uma Doença Sistêmica

A Anemia Falciforme afeta todos os órgãos (rim, retina, ossos, pulmão, cérebro). O cuidado deve ser multidisciplinar. O combate ao racismo institucional também é parte do tratamento, garantindo que a dor desses pacientes seja validada e tratada com a urgência e dignidade que a condição exige.

Referências e Tags: doença falciforme, hemoglobina s, hidroxiureia, doppler transcraniano, síndrome torácica aguda, sequestro esplênico, crise álgica, transplante de medula, terapia gênica crispr, teste do pezinho.

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