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Quiz das Doenças do Sistema Gastrointestinal

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🇧🇷 Nota Editorial – Contexto Brasileiro: Este documento foca nas particularidades da gastroenterologia no Brasil. Diferente dos guidelines americanos ou europeus, nossa prática clínica lida frequentemente com a Doença de Chagas (Megaesôfago/Megacólon), a Esquistossomose Hepatoesplênica e uma das maiores taxas de infecção por Helicobacter pylori do mundo.

O Sistema Gastrointestinal: Entre a Infecção e a Autoimunidade

“O trato digestivo é o maior órgão imunológico do corpo humano. No Brasil, ele é o campo de batalha onde doenças infecciosas endêmicas colidem com a ascensão das doenças inflamatórias típicas do estilo de vida ocidental.”

As doenças do aparelho digestivo representam uma das principais causas de internação e morbi-mortalidade no Brasil. A transição epidemiológica criou um cenário híbrido: ainda lutamos contra doenças negligenciadas (parasitoses, Chagas), enquanto enfrentamos uma explosão de obesidade, esteatose hepática (MASLD) e câncer colorretal.

Quiz: Gastroenterologia Brasileira

Autoral: Portal SaudeAZ

Selecione seu nível:

Estudante / Público

Conceitos básicos: Gastrite, Refluxo e Sintomas.

Residente / Clínico

H. pylori, Diverticulite, Pancreatite Aguda e Cirrose.

Especialista

Chagas, DII (Brasil), Câncer Gástrico e Hepatologia.

Quantas questões?

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Explicação Clínica:

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Aprofunde-se nos temas:

1. Esôfago: O Dilema DRGE vs. Chagas

A pirose (azia) é uma queixa universal, mas o diagnóstico diferencial no Brasil exige atenção especial.

Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

Afeta cerca de 12-20% da população urbana brasileira. O padrão-ouro diagnóstico evoluiu da endoscopia simples para a pHmetria e Impedanciometria, especialmente em casos de DRGE não erosiva ou sintomas atípicos (tosse, rouquidão). O tratamento baseia-se em Inibidores de Bomba de Prótons (IBPs) e mudanças no estilo de vida, com a cirurgia de fundoplicatura (Nissen) reservada para casos refratários ou anatômicos graves.

Megaesôfago Chagásico

Endêmico em várias regiões, é causado pela destruição dos plexos mioentéricos (Auerbach) pelo Trypanosoma cruzi. A acalásia (falta de relaxamento do esfíncter inferior) causa disfagia progressiva. O diagnóstico é confirmado por manometria e sorologia (Machado-Guerreiro/ELISA). O tratamento varia de dilatação pneumática a cirurgias como a Cardiomiotomia a Heller.

2. Estômago: A Guerra contra o H. pylori

O Brasil possui alta prevalência de infecção por Helicobacter pylori (>60% em algumas áreas), o principal fator de risco para úlcera péptica e Adenocarcinoma Gástrico.

IV Consenso Brasileiro de H. pylori

A erradicação é recomendada não apenas para úlceras, mas para dispepsia funcional, histórico familiar de câncer gástrico e uso crônico de AINEs. Devido à crescente resistência à Claritromicina, esquemas quádruplos (com Bismuto) ou terapias concomitantes ganham força no país.

3. Intestinos e a Emergência das DIIs

O Brasil vive um aumento vertiginoso na incidência de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa, aproximando-se de taxas europeias nas regiões Sul e Sudeste.

Doença Inflamatória Intestinal (DII)

O diagnóstico diferencial com Tuberculose Intestinal é um desafio crucial no nosso meio, pois o tratamento biológico (imunossupressor) pode ser fatal em um paciente com tuberculose ativa não diagnosticada. O uso de Calprotectina Fecal para monitoramento tornou-se padrão.

Síndrome do Intestino Irritável (SII)

Doença funcional baseada nos Critérios de Roma IV (dor abdominal associada à defecação). No Brasil, a sobreposição com parasitoses (Giardíase, Estrongiloidíase) exige exclusão parasitológica antes do diagnóstico definitivo de SII.

4. Pâncreas e Vias Biliares

A Pancreatite Aguda no Brasil é predominantemente biliar (cálculos), seguida pela alcoólica. O manejo inicial agressivo com hidratação (Ringer Lactato) nas primeiras 24h define o prognóstico.

O Câncer de Pâncreas (Adenocarcinoma) continua sendo um desafio diagnóstico, frequentemente descoberto em estágios irressecáveis. A icterícia indolor (Sinal de Courvoisier-Terrier) é o clássico sinal de alerta tardio.

5. Fígado: Hepatologia Tropical

Além da cirrose alcoólica e viral (Hepatite C em declínio devido aos antivirais de ação direta), o Brasil lida com:

  • Esquistossomose Mansônica: Causa hipertensão portal pré-sinusoidal. Diferente da cirrose, a função hepática é preservada, mas o risco de hemorragia digestiva por varizes esofágicas é altíssimo.
  • MASLD (Doença Hepática Gordurosa): A nova epidemia, ligada à síndrome metabólica, que já é a principal causa de transplante hepático em alguns centros.

Conclusão: O Olhar Brasileiro

A Gastroenterologia no Brasil exige um clínico atento que não apenas domine a tecnologia endoscópica avançada, mas que também saiba perguntar sobre a origem do paciente (zona endêmica de Chagas?), seus hábitos alimentares e investigar parasitoses antes de rotular doenças funcionais ou iniciar imunossupressão. A medicina tropical encontra a alta tecnologia.

Referências e Tags: endoscopia digestiva alta, colonoscopia, h. pylori, doença de chagas, pancreatite, esteatose hepática, cirrose, câncer gástrico, diretrizes FBG, doença celíaca.

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