O que são Doenças Genéticas: Tipos, Causas e Lista Completa
O que são Doenças Genéticas: Tipos, Causas e Lista Completa
Visão Geral (O que são?)
As doenças genéticas são patologias causadas por alterações, ou mutações, no material genético (DNA) de um indivíduo. Essas anomalias podem envolver a alteração de um único gene, a deleção ou adição de cromossomos inteiros, ou uma combinação de mutações genéticas com fatores ambientais.
De acordo com o National Human Genome Research Institute (NIH), essas condições podem ser hereditárias (passadas de pais para filhos) ou adquiridas devido a novas mutações que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário. O portal saudeaz.com.br utilizará este guia como ponto central para o mapeamento detalhado de cada patologia genética.
Lista de Doenças Genéticas para Aprofundamento
Abaixo está a relação das principais doenças genéticas que exigem monitoramento clínico e diagnóstico específico. Cada uma possui características patológicas únicas e será detalhada em artigos individuais:
- Síndrome de Down (Trissomia do 21)
- Fibrose Cística
- Anemia Falciforme
- Doença de Huntington
- Hemofilia (A e B)
- Distrofia Muscular de Duchenne
- Síndrome de Turner
- Síndrome de Klinefelter
- Neurofibromatose (Tipos 1 e 2)
- Doença de Tay-Sachs
- Fenilcetonúria (PKU)
- Albinismo
- Acondroplasia (Nanismo)
- Síndrome de Marfan
- Síndrome de Prader-Willi
- Síndrome de Angelman
- Síndrome do X Frágil
- Daltonismo
- Doença de Gaucher
- Atrofia Muscular Espinhal (AME)
- Osteogênese Imperfeita (Doença dos ossos de vidro)
- Síndrome de Patau (Trissomia do 13)
- Síndrome de Edwards (Trissomia do 18)
- Doença de Wilson
- Galactosemia
Principais Sintomas (Sinais de Alerta Gerais)
Como o termo engloba centenas de patologias, os sintomas variam drasticamente. No entanto, existem sinais clínicos que frequentemente apontam para distúrbios genéticos subjacentes:
Sinais na Infância e Desenvolvimento:
- Atraso motor ou cognitivo significativo.
- Traços faciais atípicos ou dismorfismos.
- Problemas de crescimento (estatura muito baixa ou muito alta para o padrão familiar).
- Convulsões inexplicáveis em recém-nascidos.
- Hipotonia (fraqueza muscular) severa.
Sinais na Idade Adulta:
- Perda progressiva de habilidades motoras ou cognitivas (ex: Doença de Huntington).
- Histórico de múltiplos cânceres precoces na família.
- Infertilidade inexplicável ou abortos de repetição.
- Problemas cardíacos estruturais detectados precocemente.
Causas e Fatores de Risco
As causas são divididas em quatro categorias principais de herança e mutação:
- Monogênicas (Mendelianas): Mutação em um único gene. Podem ser dominantes (basta um gene defeituoso) ou recessivas (necessitam de dois genes defeituosos).
- Cromossômicas: Alterações no número ou na estrutura dos cromossomos (ex: Síndrome de Down, onde há um cromossomo 21 extra).
- Multifatoriais (Complexas): Combinação de mutações em múltiplos genes somada a fatores ambientais (ex: doenças cardíacas congênitas, fissura labiopalatina).
- Mitocondriais: Causadas por mutações no DNA não nuclear (mitocondrial), sempre herdadas da mãe.
Quando procurar um médico
A avaliação por um médico geneticista é fundamental quando há histórico familiar de doenças genéticas, ocorrência de defeitos congênitos, múltiplos abortos espontâneos ou atrasos no desenvolvimento infantil sem causa aparente. O aconselhamento genético antes da concepção é estritamente recomendado para casais com risco conhecido.
Como é feito o Diagnóstico
A precisão do diagnóstico genético evoluiu substancialmente. Os principais protocolos, frequentemente recomendados pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), incluem:
- Cariótipo: Analisa o número e a estrutura dos cromossomos.
- Sequenciamento de Nova Geração (NGS): Permite o sequenciamento de múltiplos genes simultaneamente, incluindo o Painel de Exoma e o Genoma completo.
- PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Utilizado para detectar mutações específicas, expansões ou deleções genéticas.
- Triagem Neonatal (Teste do Pezinho): Fundamental para diagnóstico precoce de doenças metabólicas, como a Fenilcetonúria.
Tratamentos Disponíveis
Historicamente, as doenças genéticas eram incuráveis e os tratamentos focavam no controle sintomático. Atualmente, a biotecnologia oferece novas frentes:
- Terapia Gênica: Introdução de um gene saudável para substituir ou reparar o gene defeituoso (ex: tratamento para AME).
- Terapia de Reposição Enzimática: Fornecimento da enzima que o corpo não consegue produzir devido à mutação (ex: Doença de Gaucher).
- Manejo Metabólico: Restrição dietética rigorosa para evitar o acúmulo de toxinas (ex: dieta sem fenilalanina para PKU).
- Terapias Direcionadas: Medicamentos que modulam a função do gene mutado (ex: moduladores do CFTR para Fibrose Cística).
Prevenção e Aconselhamento
A prevenção primária foca na informação e rastreio. O Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGD) acoplado à Fertilização In Vitro (FIV) permite selecionar embriões livres de mutações genéticas específicas antes da implantação uterina, interrompendo a cadeia hereditária de doenças graves.
Tabela Comparativa: Padrões de Herança Monogênica
| Padrão de Herança | Mecanismo | Risco de Transmissão (por gravidez) | Exemplos Clássicos |
|---|---|---|---|
| Autossômica Dominante | Apenas uma cópia do gene mutado é necessária para manifestar a doença. | 50% se um dos pais for afetado. | Doença de Huntington, Doença de Marfan, Acondroplasia. |
| Autossômica Recessiva | Duas cópias do gene mutado (uma de cada progenitor) são necessárias. | 25% se ambos os pais forem portadores (assintomáticos). | Fibrose Cística, Anemia Falciforme, Tay-Sachs. |
| Ligada ao X (Recessiva) | Mutação no cromossomo X. Afeta primariamente indivíduos do sexo masculino. | 50% de chance de filhos homens serem afetados (mãe portadora). | Hemofilia A e B, Distrofia Muscular de Duchenne, Daltonismo. |
Exemplos de Casos (Estudos Clínicos Comuns)
1. Triagem Neonatal Decisiva (Herança Recessiva): Recém-nascido submetido ao Teste do Pezinho ampliado. O resultado indicou níveis alterados compatíveis com Fenilcetonúria (PKU). Confirmado o diagnóstico molecular, a criança foi imediatamente submetida a uma dieta restrita em fenilalanina. A intervenção precoce evitou o acúmulo neurotóxico, permitindo desenvolvimento cognitivo absolutamente normal, evidenciando a eficácia do rastreio populacional.
2. O Peso da Herança Dominante: Paciente masculino, 42 anos, começou a apresentar movimentos coreicos involuntários e alterações de humor agressivas. Seu pai havia falecido aos 55 anos com sintomas psiquiátricos não diagnosticados. O sequenciamento genético confirmou a expansão de repetições CAG no gene HTT, diagnosticando a Doença de Huntington. Seus filhos têm 50% de risco de desenvolver a patologia.
3. Mutação *De Novo* (Erro na Divisão Celular): Mãe de 38 anos, primeira gestação. Ultrassom morfológico indicou translucência nucal aumentada e anomalia cardíaca septal. A amniocentese revelou um cariótipo 47,XX,+21, confirmando a Síndrome de Down. O caso ilustra um erro aleatório na disjunção cromossômica, não hereditário, cuja incidência está correlacionada à idade materna avançada, conforme literatura médica do Ministério da Saúde.
Curiosidade: O Projeto Genoma Humano, concluído em 2003, levou 13 anos e bilhões de dólares para sequenciar o primeiro genoma humano completo. Hoje, graças ao sequenciamento de nova geração (NGS), um genoma inteiro pode ser lido em poucos dias e a um custo inferior a mil dólares, revolucionando a medicina de precisão e os diagnósticos de doenças raras.
Dica: O “Teste do Pezinho” oferecido pelo SUS no Brasil detecta uma série de doenças genéticas e metabólicas. No entanto, laboratórios privados oferecem o Teste do Pezinho Ampliado ou Expandido, que pode rastrear mais de 50 patologias diferentes utilizando a espectrometria de massas em tandem. Considere essa opção para aumentar o espectro de detecção precoce do seu recém-nascido.
10 Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Todas as doenças genéticas são hereditárias?
Não. Todas as doenças hereditárias são genéticas, mas nem toda doença genética é hereditária. Muitas condições resultam de mutações *de novo*, ou seja, alterações no DNA que ocorrem espontaneamente no espermatozoide, no óvulo ou logo após a fecundação, sem que os pais tenham a mutação.
2. Existe cura para doenças genéticas?
A grande maioria não possui cura, apenas controle clínico. No entanto, a terapia gênica começou a curar ou modificar o curso de certas doenças genéticas (como a Atrofia Muscular Espinhal) alterando o DNA das células afetadas.
3. Pais saudáveis podem ter um filho com doença genética?
Sim. Se ambos os pais forem “portadores saudáveis” (heterozigotos) de uma mutação recessiva, eles não apresentarão a doença, mas terão 25% de chance em cada gravidez de que a criança herde ambas as mutações e desenvolva a patologia.
4. O que é um portador genético?
Um portador é um indivíduo que possui uma cópia mutada de um gene e uma cópia normal. Em doenças recessivas, o portador não apresenta sintomas, mas pode transmitir a mutação para seus descendentes.
5. Exames de sangue comuns detectam doenças genéticas?
Não. Hemogramas ou testes bioquímicos padrão não analisam o DNA. É necessário solicitar exames específicos de sequenciamento genético, análise cromossômica (cariótipo) ou testes moleculares (PCR).
6. O estilo de vida dos pais antes da concepção afeta a genética do bebê?
Sim, através da epigenética e mutações. Fatores como exposição a radiação, tabagismo severo e idade avançada (tanto materna quanto paterna) podem aumentar a taxa de mutações espontâneas nos gametas.
7. O que é o Aconselhamento Genético?
É um processo clínico em que um especialista avalia o risco de um indivíduo ou casal desenvolver ou transmitir uma doença genética com base no histórico familiar, indicando exames e discutindo opções reprodutivas.
8. Doenças autoimunes são genéticas?
Elas têm um forte componente genético de predisposição (multifatorial), mas não são puramente monogenéticas. Geralmente, requerem um gatilho ambiental (como uma infecção viral) para ativar a resposta imune em indivíduos geneticamente suscetíveis.
9. Câncer é uma doença genética?
Todo câncer é uma doença genética celular, pois surge de mutações no DNA de células somáticas. Contudo, apenas cerca de 5% a 10% dos cânceres são estritamente hereditários (ex: mutações BRCA1 e BRCA2 no câncer de mama).
10. Qual a diferença entre doença congênita e genética?
Congênita significa que o indivíduo nasceu com a condição (ex: infecção por zika vírus durante a gestação). Genética significa que a causa está no DNA. Uma doença genética pode ser congênita (Síndrome de Down) ou aparecer apenas na fase adulta (Doença de Huntington).
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Aviso Médico do Saúde A-Z: Este conteúdo é de caráter puramente informativo e educacional. Não substitui o diagnóstico, aconselhamento genético ou tratamento prescrito por um médico especialista. Em caso de histórico familiar ou suspeita de condições genéticas, procure assistência médica e aconselhamento genético profissional.











