O que é HIV e AIDS: Sintomas, Causas e Tratamentos
O que é HIV e AIDS: Sintomas, Causas e Tratamentos
Visão Geral (O que é?)
O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é um retrovírus que ataca especificamente o sistema imunológico, destruindo os linfócitos T CD4+, células fundamentais para a defesa do organismo contra infecções. O HIV não tem cura biológica até o momento, mas é uma condição crônica rigorosamente controlável através de intervenção farmacológica.
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) não é sinônimo de HIV. A AIDS é o estágio clínico mais avançado da infecção, diagnosticada quando a contagem de linfócitos T CD4+ cai para níveis críticos (abaixo de 200 células/mm³) ou quando o paciente desenvolve infecções oportunistas graves. De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), o tratamento antirretroviral contínuo impede que o HIV evolua para a AIDS, permitindo uma expectativa de vida equivalente à da população geral.
Principais Sintomas
A evolução clínica do HIV divide-se em fases bem demarcadas, e o silêncio sintomático é a regra na maior parte do curso da infecção.
Sintomas Iniciais (Síndrome Retroviral Aguda):
Surgem entre 2 a 4 semanas após a infecção. Muitas vezes confundidos com uma gripe forte ou mononucleose.
- Febre alta e persistente.
- Aumento dos linfonodos (ínguas) no pescoço, axilas e virilha.
- Fadiga extrema e sudorese noturna.
- Erupções cutâneas (rash maculopapular) no tronco e rosto, geralmente sem coceira.
- Dor de garganta e mialgia (dores musculares).
Sintomas Avançados (Fase AIDS):
Ocorrem anos após a infecção primária, devido ao colapso do sistema imune.
- Perda de peso severa e inexplicável (Síndrome Consuntiva).
- Diarreia crônica com duração superior a 30 dias.
- Candidíase oral grave e recorrente ou candidíase esofágica.
- Pneumonias atípicas (como a causada pelo fungo Pneumocystis jirovecii).
- Surgimento de neoplasias oportunistas, como o Sarcoma de Kaposi (manchas violáceas na pele e mucosas) e linfomas.
Causas e Fatores de Risco
A transmissão do HIV ocorre exclusivamente pela troca de fluidos corporais específicos contendo alta carga viral: sangue, sêmen, fluidos vaginais/retais e leite materno. Os vetores de risco documentados englobam:
- Prática de sexo vaginal ou anal sem o uso de preservativos ou Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).
- Compartilhamento de agulhas, seringas ou equipamentos de injeção de drogas.
- Transmissão vertical (da mãe soropositiva não tratada para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação).
- Presença de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis e herpes, que causam lesões de mucosa e aumentam em até 3 vezes a suscetibilidade à entrada do HIV.
Quando procurar um médico
A avaliação por um infectologista deve ser imediata (em até 72 horas) após qualquer situação de exposição de risco (falha do preservativo, violência sexual ou acidente ocupacional com perfurocortantes) para o início da Profilaxia Pós-Exposição (PEP). Indivíduos sexualmente ativos com múltiplos parceiros devem realizar a sorologia para o HIV anualmente, independentemente da presença de sintomas.
Como é feito o Diagnóstico
O diagnóstico é estritamente laboratorial. O protocolo de testagem busca detectar anticorpos e antígenos virais, devendo respeitar o conceito de “janela imunológica” (o período de 30 a 60 dias que o corpo leva para produzir anticorpos detectáveis).
- Testes Rápidos: Realizados com amostras de sangue por punção digital ou fluido oral. Oferecem resultados em até 30 minutos e são a principal ferramenta de triagem em campanhas públicas de saúde.
- Sorologia ELISA de 4ª Geração: Exame de sangue venoso de alta precisão que detecta tanto os anticorpos contra o HIV quanto o antígeno p24 (proteína do próprio vírus), diminuindo a janela imunológica para cerca de 15 a 20 dias.
- Carga Viral (PCR) e Contagem de CD4: Exames de biologia molecular essenciais após o diagnóstico positivo. A Carga Viral mede a quantidade de cópias do vírus no sangue, e a Contagem de CD4 avalia o nível de destruição do sistema imunológico para balizar o tratamento.
Tratamentos Disponíveis
O tratamento do HIV é baseado na Terapia Antirretroviral (TARV), padronizada mundialmente. O Brasil, através do Ministério da Saúde, fornece a medicação gratuitamente a todos os pacientes diagnosticados, com o objetivo de suprimir a replicação viral.
- Esquema Inicial Padrão: Combinação de medicamentos (frequentemente coformulados em um ou dois comprimidos diários), como Tenofovir, Lamivudina e Dolutegravir. A inibição da replicação viral impede a destruição dos linfócitos CD4.
- Profilaxia de Infecções Oportunistas: Para pacientes diagnosticados tardiamente, com CD4 abaixo de 200 células/mm³, é obrigatório o uso de antibióticos profiláticos (como o Sulfametoxazol-Trimetoprima) até que o sistema imune se recupere com a TARV.
- Adesão Estrita: A TARV deve ser tomada diariamente, no mesmo horário, por toda a vida. Falhas na adesão provocam mutações no vírus, gerando resistência medicamentosa e falha terapêutica.
Tabela Comparativa: HIV vs. AIDS
| Característica Clínica | HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) | AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) |
|---|---|---|
| Definição | O vírus em si, presente no organismo. | A fase clínica avançada e grave da infecção pelo vírus. |
| Estado do Sistema Imune | Frequentemente competente (paciente não fica doente do nada). | Severamente depletado (CD4 abaixo de 200 células/mm³). |
| Sintomatologia | Majoritariamente assintomático por anos. | Infecções oportunistas graves e cânceres associados. |
| Reversibilidade | Irreversível (infecção crônica, o vírus não sai do corpo). | Reversível (a TARV recupera o CD4 e tira o paciente do estágio AIDS). |
Exemplos de Casos (Estudos Clínicos Comuns)
1. Síndrome Retroviral Aguda: Paciente masculino, 24 anos. Deu entrada no pronto-socorro com febre de 39°C, linfonodos cervicais bastante inchados, dor de garganta intensa e erupções cutâneas no peito. O quadro mimetizava mononucleose. A anamnese revelou prática de sexo anal desprotegido 20 dias antes. O teste de 4ª geração identificou o antígeno p24. O caso evidencia a alta viremia da fase primária; a introdução rápida da TARV preservou a arquitetura inicial do seu sistema imunológico.
2. O Diagnóstico Tardio em Fase AIDS: Paciente feminina, 45 anos. Procurou pneumologista relatando tosse seca persistente há dois meses, perda de 12 quilos e falta de ar ao realizar pequenos esforços. A radiografia de tórax e exames complementares confirmaram pneumonia por Pneumocystis jirovecii. O teste para HIV foi reagente, com contagem de CD4 de 45 células/mm³ (altamente crítico). Ela portava o vírus silenciosamente por mais de dez anos. Foi internada para tratamento agressivo da pneumonia oportunista antes da introdução estabilizada da TARV.
3. Bloqueio da Transmissão Vertical: Gestante, 28 anos, sabidamente vivendo com HIV há 4 anos e em uso contínuo de TARV. Seus exames de pré-natal comprovaram carga viral indetectável. O parto foi realizado por cesariana eletiva (conforme protocolo para sua situação obstétrica específica), o recém-nascido recebeu AZT (xarope antirretroviral) nas primeiras quatro semanas de vida, e a amamentação foi substituída por fórmula infantil. Todos os testes moleculares do bebê aos 18 meses confirmaram que a criança não contraiu o vírus, provando a eficácia dos protocolos de prevenção vertical.
Curiosidade: A ciência consolidou, após décadas de grandes estudos clínicos (como o PARTNER 1 e 2), o conceito de I = I (Indetectável = Intransmissível). Significa que uma pessoa vivendo com HIV, que toma sua medicação corretamente e mantém a carga viral indetectável no sangue por pelo menos seis meses, tem risco ZERO de transmitir o vírus através de relações sexuais, mesmo sem o uso de preservativos.
Dica: Para populações de alto risco que não possuem o HIV, o uso da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é uma revolução preventiva. A diretriz do CDC e do SUS permite o uso de um comprimido diário composto por Tenofovir e Entricitabina que, se tomado regularmente, cria um “escudo” farmacológico no corpo, bloqueando a entrada do HIV com mais de 99% de eficácia em casos de exposição.
10 Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Posso pegar HIV pelo beijo na boca?
Não. A saliva possui substâncias que inibem o HIV, e a carga viral na saliva é insuficiente para causar infecção. O vírus não é transmitido por beijos, abraços, aperto de mão, suor ou lágrimas.
2. O teste de HIV feito uma semana após o risco é confiável?
Não. O teste rápido ou sorológico comum precisa que o corpo produza anticorpos. Fazer o exame na primeira semana (dentro da janela imunológica) resultará em um falso-negativo. É recomendado aguardar 30 dias para testes de 4ª geração.
3. Mosquito transmite o HIV?
Absolutamente não. O HIV sobrevive apenas em células humanas. Além disso, o mosquito não injeta o sangue da pessoa picada anteriormente na próxima vítima, ele injeta apenas sua própria saliva anestésica.
4. Qual a expectativa de vida de alguém com HIV hoje?
Se diagnosticado a tempo e tratado corretamente, a expectativa de vida é praticamente idêntica à de uma pessoa que não tem o vírus. Pacientes morrem “com” o HIV por causas naturais (como infarto ou envelhecimento), não “de” HIV.
5. Quem tem HIV pode ter filhos biológicos sem o vírus?
Sim. Além do conceito I=I garantir que casais sorodiferentes (onde um tem e o outro não) possam conceber naturalmente sem o parceiro ser infectado, o acompanhamento pré-natal rígido previne a transmissão para o feto em quase 100% dos casos.
6. A camisinha estourou. O que eu faço?
Procure imediatamente uma emergência, UPA ou CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) em até 72 horas (o ideal é nas primeiras duas horas) para iniciar a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), tomando antirretrovirais por 28 dias para impedir que o vírus se instale no corpo.
7. Sexo oral transmite o HIV?
O risco é considerado extremamente baixo se comparado ao sexo anal ou vaginal, mas não é zero. O risco aumenta caso haja ejaculação na boca e o parceiro receptivo possua gengivite, aftas ou sangramentos orais.
8. É possível interromper os remédios se a carga viral zerar?
Em hipótese alguma. “Carga viral indetectável” significa que a medicação está controlando a doença, não que o vírus desapareceu. Se a TARV for suspensa, o vírus sairá dos reservatórios latentes e voltará a destruir o sistema imune rapidamente.
9. Doadores de sangue correm risco de pegar HIV?
Não existe nenhum risco de contrair o HIV ao doar sangue em hemocentros credenciados, pois todo o material utilizado na coleta (agulhas, bolsas e cateteres) é rigorosamente estéril, lacrado e descartável.
10. O que são infecções oportunistas?
São doenças causadas por bactérias, vírus, fungos ou parasitas que não causariam problemas em um sistema imunológico saudável. Elas se aproveitam da deficiência imunológica extrema (fase AIDS) para se manifestar de forma agressiva e letal.
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Aviso Médico do Saúde A-Z: Este conteúdo possui finalidade estritamente analítica e educacional. Não substitui o diagnóstico laboratorial, o aconselhamento médico ou a prescrição de Terapia Antirretroviral por um infectologista. A testagem regular e o tratamento imediato são imprescindíveis. Em caso de exposição de risco, procure o pronto-socorro em até 72 horas.
Lista de ISTs para Aprofundamento
Abaixo encontra-se a relação das principais ISTs globais, categorizadas pelo agente etiológico. Cada condição exige uma abordagem clínica, laboratorial e terapêutica distinta:
- Sífilis (Treponema pallidum)
- Gonorreia (Neisseria gonorrhoeae)
- Clamídia (Chlamydia trachomatis)
- Infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV)
- HIV / AIDS
- Herpes Genital (HSV-1 e HSV-2)
- Tricomoníase (Trichomonas vaginalis)
- Hepatites Virais (Hepatite B e C)
- Cancro Mole (Haemophilus ducreyi)
- Linfogranuloma Venéreo (LGV)
- Donovanose
- Doença Inflamatória Pélvica (DIP) - Complicação de ISTs
- Mycoplasma genitalium











