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Quiz Retocolite Ulcerativa

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⚕️ Nota Editorial de Profundidade: Este documento constitui um recurso de referência técnica extensa sobre a Retocolite Ulcerativa (RCU). O texto transcende a visão básica da doença, explorando a desregulação da barreira mucosa, a complexidade da escolha entre biológicos e pequenas moléculas na era moderna, e as nuances do seguimento endoscópico para displasia. Baseado nas diretrizes da GEDIIB (Brasil) e ECCO (Europa).

Retocolite Ulcerativa: A Tempestade Inflamatória da Mucosa

“Enquanto a Doença de Crohn pode morder qualquer parte do trato digestivo como um lobo, a Retocolite Ulcerativa é uma maré vermelha contínua que sobe a partir do reto, confinada à superfície, mas devastadora na sua profundidade imunológica.”

A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, imunomediada, caracterizada por inflamação difusa e contínua da mucosa do cólon, estendendo-se proximalmente a partir do reto.

Diferente da Doença de Crohn, que é transmural e segmentar, a RCU limita-se classicamente à mucosa e submucosa. Sua incidência tem aumentado globalmente, tornando-se um desafio de saúde pública devido à sua natureza recidivante.

Quiz: Retocolite Ulcerativa

Autoral: Portal SaudeAZ

Selecione o nível de conhecimento:

Estudante / Público

Sintomas, diferenças para Crohn e fatores de risco.

Residente / Clínico

Classificação de Montreal, complicações agudas e 5-ASA.

Gastroenterologista

Biológicos, inibidores JAK, vigilância de displasia e cirurgia.

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Explicação Clínica:

1. Etiopatogenia: Quando a Tolerância Quebra

A causa exata permanece desconhecida, mas a teoria vigente propõe uma resposta imune desregulada da mucosa a microrganismos comensais intestinais em indivíduos geneticamente suscetíveis.

A. Defeito na Barreira Epitelial

Pacientes com RCU apresentam uma camada de muco colônico delgada e defeituosa (deficiência de mucina MUC2), permitindo que bactérias entrem em contato direto com o epitélio. Isso ativa as células dendríticas e macrófagos, desencadeando uma cascata inflamatória.

B. Perfil de Citocinas (Th2 Atípico)

Imunologicamente, a RCU é mediada por um perfil de citocinas Th2 atípico, com produção excessiva de IL-5 e IL-13 (que induzem apoptose das células epiteliais) e TNF-alfa. Recentemente, a via da IL-23/Th17 e as Janus Quinases (JAK) foram identificadas como drivers cruciais.

2. Classificação e Diagnóstico: O Mapa da Doença

O diagnóstico baseia-se na combinação de clínica, endoscopia e histologia.

A. Classificação de Montreal (Extensão)

A extensão da doença dita o prognóstico e o risco de câncer:

  • E1 (Proctite): Confinada ao reto. Sintomas principais: tenesmo, urgência e sangramento retal. Constipação distal é comum.
  • E2 (Colite Esquerda): Estende-se do reto até o ângulo esplênico (flexura esquerda).
  • E3 (Pancolite): Estende-se proximalmente ao ângulo esplênico, podendo atingir o ceco. Maior risco de colectomia e neoplasia.

B. Marcadores Não Invasivos

A Calprotectina Fecal tornou-se indispensável. É uma proteína do citosol de neutrófilos. Sua presença nas fezes indica migração de neutrófilos para a mucosa. Valores > 250 µg/g sugerem inflamação ativa, permitindo diferenciar DII de Síndrome do Intestino Irritável (SII).

C. Endoscopia e Histologia

A colonoscopia revela perda do padrão vascular, eritema, friabilidade, granularidade e ulcerações. Histologicamente, procura-se por distorção da arquitetura das criptas (ramificação), plasmocitose basal e, na fase ativa, criptite e abscessos das criptas.

3. Manejo da Colite Aguda Grave

Uma emergência médica definida pelos critérios de Truelove & Witts modificados: ≥ 6 evacuações sanguinolentas/dia + taquicardia, febre, anemia ou VHS elevado.

  • Corticosteroides IV: Primeira linha (Hidrocortisona ou Metilprednisolona).
  • Terapia de Resgate: Cerca de 30% não respondem aos esteroides (corticorrefratários) no dia 3-5. As opções são Infliximabe (Anti-TNF) ou Ciclosporina.
  • Colectomia: Indicada se falência da terapia médica, perfuração ou hemorragia maciça.

4. O Arsenal Terapêutico Moderno

O objetivo evoluiu do controle de sintomas para a “Cicatrização da Mucosa” (Mucosal Healing). A pirâmide terapêutica inclui:

Aminossalicilatos (5-ASA)

A pedra angular para doença leve a moderada. A Mesalazina (oral e tópica) é eficaz e segura. Formulações de liberação dependente de pH (MMX) garantem a entrega da droga no cólon.

Biológicos e Pequenas Moléculas

Para doença moderada a grave ou corticodependente:

  • Anti-TNF (Infliximabe, Adalimumabe, Golimumabe): Bloqueiam a citocina inflamatória mestre.
  • Anti-Integrinas (Vedolizumabe): Bloqueia seletivamente a integrina α4β7, impedindo que os linfócitos entrem no intestino. Perfil de segurança excelente (intestino-específico).
  • Anti-IL12/23 (Ustequinumabe) e Anti-IL23 (Miriquizumabe, Risanquizumabe): Alvo na via Th1/Th17.
  • Inibidores da JAK (Tofacitinibe, Upadacitinibe): Orais, bloqueiam vias de sinalização intracelular. Ação rápida, mas requerem monitorização de risco cardiovascular e Herpes Zoster.

5. Cirurgia: A Retocolectomia Restauradora

A cirurgia é curativa para a doença colônica. O procedimento de escolha é a Retocolectomia Total com Anastomose Ileoanal com Bolsa (IPAA), conhecida como “Bolsa em J”.

O cólon e o reto são removidos, e cria-se um reservatório com o íleo terminal, conectado ao ânus, preservando a continência. A complicação mais comum é a Pouchite (inflamação do reservatório), tratada com antibióticos.

6. Câncer e Complicações

  • Risco de Câncer Colorretal: Aumenta com a duração da doença (>8-10 anos) e extensão. A vigilância colonoscópica com cromoendoscopia é obrigatória.
  • Colangite Esclerosante Primária (CEP): Doença hepática associada em 5% dos doentes. Pacientes com RCU+CEP têm risco altíssimo de câncer.
  • Megacólon Tóxico: Dilatação do cólon (>6cm) com toxicidade sistêmica. Risco iminente de perfuração.

Conclusão: O Paradigma Treat-to-Target

O manejo da Retocolite Ulcerativa não é mais passivo. Adotou-se a estratégia “Treat-to-Target” (Tratar para o Alvo), onde se ajusta a medicação até atingir a cicatrização da mucosa na endoscopia e normalização da calprotectina. Esta abordagem altera a história natural da doença, prevenindo cirurgias e incapacidade.

Referências e Tags: retocolite ulcerativa, doença de crohn, mesalazina, corticoides, biológicos, vedolizumabe, tofacitinibe, proctocolectomia, bolsa ileal, calprotectina fecal, displasia, câncer colorretal.

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